Alzheimer: novidades no tratamento da doença

Alzheimer: novidades no tratamento da doença

O Dia Mundial da Doença de Alzheimer, celebrado em 21 de setembro, representa uma oportunidade para ampliar a conscientização sobre uma das principais causas de demência no mundo. Mais do que lembrar a importância do diagnóstico e do cuidado, a data também permite olhar para os avanços que a ciência vem conquistando no tratamento da doença.

Durante muitos anos, o tratamento do Alzheimer concentrou-se principalmente no controle dos sintomas. Medicamentos ajudavam a preservar determinadas funções cognitivas e comportamentais, mas não atuavam diretamente sobre os processos biológicos envolvidos na progressão da doença.

Esse cenário começou a mudar nos últimos anos e essa mudança já chegou ao Brasil. Em janeiro de 2026, a Anvisa aprovou o lecanemabe, medicamento biológico destinado a adultos com comprometimento cognitivo leve ou demência leve causada pelo Alzheimer, desde que exista confirmação da presença da patologia amiloide e que os critérios estabelecidos para o tratamento sejam atendidos.

O que é a doença de Alzheimer?

A doença de Alzheimer é uma condição neurodegenerativa progressiva que afeta principalmente a memória e outras funções cognitivas. Com o avanço da doença, também podem surgir dificuldades relacionadas à linguagem, orientação, raciocínio, comportamento e realização de atividades do cotidiano.

Embora o envelhecimento seja um dos principais fatores de risco, Alzheimer não é uma consequência normal de ficar mais velho. Por isso, alterações persistentes de memória ou outras mudanças cognitivas merecem avaliação profissional.

O diagnóstico precoce ganhou ainda mais importância diante dos novos tratamentos. Afinal, as terapias que atuam sobre a proteína beta-amiloide são direcionadas principalmente para pessoas que ainda estão nas fases iniciais da doença.

O que é a doença de Alzheimer?

Por que o tratamento do Alzheimer está mudando?

Para entender as novidades, é importante conhecer uma das características estudadas na doença: o acúmulo da proteína beta-amiloide no cérebro.

No Alzheimer, fragmentos dessa proteína podem se acumular e formar placas. Essas alterações fazem parte dos processos associados à doença e estão relacionadas a alterações no funcionamento das células nervosas.

Os novos medicamentos chamados de anticorpos monoclonais antiamiloide foram desenvolvidos justamente para atuar nesse mecanismo. Eles reconhecem a beta-amiloide e ajudam o organismo a removê-la do cérebro.

Entretanto, isso não significa que esses medicamentos curem o Alzheimer. O objetivo é retardar o avanço do declínio cognitivo e funcional em pacientes cuidadosamente selecionados.

Essa diferença é fundamental. A nova geração de tratamentos representa um avanço importante, mas não elimina a doença nem recupera automaticamente as capacidades cognitivas já perdidas.

Lecanemabe: uma das principais novidades no Brasil

Uma das principais novidades relacionadas ao tratamento do Alzheimer no Brasil é o lecanemabe, comercializado como Leqembi.

Em 8 de janeiro de 2026, a Anvisa informou a aprovação do medicamento para uso no país. O lecanemabe é um anticorpo monoclonal direcionado à beta-amiloide e foi aprovado para adultos com diagnóstico clínico de comprometimento cognitivo leve ou demência leve decorrentes do Alzheimer, desde que a presença da patologia amiloide seja confirmada e os demais critérios regulatórios sejam atendidos.

Nos estudos clínicos, o medicamento conseguiu reduzir marcadores de beta-amiloide e apresentou uma redução moderada no ritmo de declínio cognitivo e funcional em comparação com placebo.

A administração tradicional ocorre por infusão intravenosa, aproximadamente uma vez a cada duas semanas. Em 2026, a FDA também aprovou uma opção de início do tratamento com formulação subcutânea nos Estados Unidos, mostrando como a própria forma de administração dessas terapias continua evoluindo.

Donanemabe: outro tratamento que atua na beta-amiloide

Donanemabe: outro tratamento que atua na beta-amiloide

O donanemabe, comercializado nos Estados Unidos como Kisunla, pertence à mesma estratégia terapêutica. O medicamento também atua sobre a beta-amiloide e recebeu aprovação da Anvisa em abril de 2025 para adultos com comprometimento cognitivo leve ou demência leve associados ao Alzheimer, dentro dos critérios definidos pela agência.

Nos Estados Unidos, o donanemabe é administrado por infusão intravenosa a cada quatro semanas e possui indicação para pessoas com Alzheimer em estágio inicial, incluindo comprometimento cognitivo leve ou demência leve, quando existe confirmação do acúmulo de beta-amiloide.

Assim como acontece com o lecanemabe, o objetivo não é curar a doença, mas desacelerar sua progressão em determinados pacientes.

Quem pode receber esses novos tratamentos?

Essa talvez seja uma das perguntas mais importantes quando falamos sobre as novidades no tratamento do Alzheimer.

Os medicamentos antiamiloide não são indicados para todas as pessoas com Alzheimer. Eles foram estudados e aprovados principalmente para pacientes que estão nos estágios iniciais da doença, como aqueles com comprometimento cognitivo leve ou demência leve.

Além disso, é necessário confirmar que existe a presença da patologia relacionada à beta-amiloide. Dependendo do protocolo, essa confirmação pode envolver exames específicos, como exames de imagem ou análise de biomarcadores.

Também existem outros critérios de segurança e elegibilidade. Por isso, a indicação precisa ser feita por uma equipe médica especializada, após uma avaliação individualizada.

Em outras palavras, descobrir que um medicamento novo existe não significa automaticamente que ele seja adequado para qualquer pessoa diagnosticada com Alzheimer.

Por que o tratamento do Alzheimer está mudando

Os novos medicamentos têm riscos?

Sim. Como qualquer tratamento médico, as terapias antiamiloide apresentam benefícios e riscos que precisam ser avaliados individualmente.

Um dos principais pontos de atenção são as chamadas anormalidades de imagem relacionadas à amiloide, conhecidas pela sigla ARIA. Elas podem envolver edema ou pequenos sangramentos no cérebro e, em alguns casos, podem exigir acompanhamento por exames de imagem.

Por isso, o tratamento exige acompanhamento médico rigoroso e protocolos específicos de monitoramento. A FDA, por exemplo, reforçou a necessidade de acompanhamento por ressonância magnética para pacientes que utilizam lecanemabe.

Essa necessidade de monitoramento mostra por que esses medicamentos não devem ser vistos como soluções simples ou indicadas por conta própria.

Esses tratamentos curam o Alzheimer?

Não.

Essa é uma informação essencial para evitar expectativas equivocadas. Os medicamentos mais recentes não curam a doença de Alzheimer e não fazem com que as alterações cognitivas já existentes desapareçam.

O principal avanço está na possibilidade de modificar o ritmo de progressão da doença em determinados pacientes nos estágios iniciais.

Por isso, quanto mais cedo acontece a investigação, maior pode ser a importância de identificar se a pessoa se enquadra nos critérios para essas novas terapias.

Ao mesmo tempo, o tratamento do Alzheimer continua envolvendo muito mais do que medicamentos. Estimulação cognitiva, atividade física, controle de fatores de risco cardiovasculares, alimentação equilibrada, acompanhamento de outras doenças e suporte aos familiares continuam importantes no cuidado integral.

Esses tratamentos curam o Alzheimer

Por que o diagnóstico precoce se tornou ainda mais importante?

Durante muito tempo, uma das grandes dificuldades no Alzheimer era identificar a doença antes que os danos cognitivos se tornassem mais avançados.

Agora, com terapias capazes de atuar sobre mecanismos relacionados à doença, o diagnóstico precoce do Alzheimer ganha uma importância ainda maior.

Alterações persistentes de memória, dificuldade para realizar tarefas que antes eram simples, problemas de orientação e mudanças no comportamento não devem ser automaticamente atribuídos à idade.

Buscar avaliação médica permite investigar as causas desses sintomas, identificar outras condições que podem afetar a cognição e, quando necessário, iniciar o acompanhamento adequado.

Além disso, o diagnóstico possibilita que paciente e família tenham mais tempo para compreender a condição, organizar os cuidados e discutir as opções terapêuticas disponíveis.

O futuro do tratamento do Alzheimer está apenas começando

A chegada de medicamentos capazes de atuar diretamente sobre um dos mecanismos associados ao Alzheimer representa uma mudança importante na história do tratamento da doença.

O lecanemabe aprovado pela Anvisa em 2026 e o donanemabe registrado no Brasil em 2025 mostram que o país entrou em uma nova fase da terapêutica do Alzheimer.

Ainda existem desafios. O acesso aos tratamentos, o custo, a necessidade de diagnóstico especializado, a confirmação de biomarcadores e o acompanhamento por exames são questões que precisam ser consideradas.

Além disso, a ciência continua buscando novas alternativas capazes de atuar em outros mecanismos envolvidos na doença.

Portanto, as novidades são motivo para esperança, mas também exigem informação responsável. Alzheimer continua sendo uma doença complexa, e nenhum tratamento deve ser iniciado sem avaliação médica.

Informação e cuidado caminham juntos

Informação e cuidado caminham juntos!

O avanço da medicina oferece novas possibilidades para pessoas que vivem com Alzheimer e para suas famílias. Entretanto, nenhuma novidade substitui a importância do acompanhamento profissional, do diagnóstico adequado e de uma rede de cuidado preparada para lidar com os diferentes aspectos da doença.

Neste Dia Mundial da Doença de Alzheimer, ampliar o conhecimento sobre a condição significa também reconhecer os avanços da ciência e entender seus limites.

A UniCor acredita que informação de qualidade faz parte do cuidado com a saúde. Por isso, acompanhar as descobertas da medicina, reconhecer os sinais de alerta e buscar orientação profissional são atitudes importantes para cuidar da saúde cognitiva em todas as fases da vida.

Leia também nosso blog sobre os perigos da contaminação por mercúrio!

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